Aids: todos contra ela

Por Bolsa de Mulher Publicado em: 01 de dezembro de 2015 às 13:00.

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Informação e educação: as verdadeiras armas de luta

Hoje, 1 de dezembro, é o Dia Mundial de Combate à Aids e o foco da campanha é o jovem, de 15 a 24 anos. A escolha do público-alvo foi em função de dados comportamentais, como o maior número de parceiros casuais dessa faixa etária e o elevado índice de jovens (40%) que declaram não usar preservativo em todas as relações sexuais.

 

 

Os objetivos da campanha são combater o preconceito em relação aos portadores de HIV/aids e a conscientização dos jovens sobre a prevenção e a prática de comportamentos seguros. O tema da campanha é “O preconceito como aspecto de vulnerabilidade ao HIV/aids”. E hoje o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), unidade da Fiocruz responsável pela produção de vacinas, reativos e biofármacos, anuncia o novo teste Confirmatório Imunoblot Rápido, que permite obter o resultado em cerca de 15 minutos. Atualmente o resultado leva até 30 dias para ficar pronto.

 

Idade x sexo x contaminação

 

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) afirma que há mais de 6.800 novas contaminações pelo vírus da Aids no mundo todos os dias, chegando a mais de 5.700 mortes diariamente. A proporção de contaminação entre os sexos diminuiu bastante. Em 1986, era de 15 homens soropositivos para cada uma mulher. De 2003 em diante, de cada 15 em homens com a doença, há 10 em mulheres. Mas, na faixa etária entre 13 e 19 anos, o número é maior entre as meninas: 10 contra 8 em meninos.

 

Grupo de risco?

 

Não há mais um grupo restrito de pessoas ou de mulheres que podem vir a ser contaminadas: a Aids as atinge em qualquer idade – inclusive vêm aumentando os casos de idosas portadoras da doença. Por que isso vem acontecendo? Se antes se falava em grupos de risco, como usuários de drogas injetáveis, homossexuais e profissionais do sexo, hoje não se pode ao menos definir um perfil dos portadores da doença. É o que argumenta a psicanalista Carmen Lent, coordenadora do Banco de Horas, entidade de apoio a portadores de HIV/Aids no Rio de Janeiro. "Não existe mais um perfil comum às pessoas com Aids. Atualmente, sabemos que qualquer pessoa sexualmente ativa pode ser infectada pelo HIV. As pessoas não-testadas, casadas ou não, não são necessariamente soronegativas, mas sim sorointerrogativas", afirma.Não existe mais um perfil comum às pessoas com Aids. Atualmente, sabemos que qualquer pessoa sexualmente ativa pode ser infectada pelo HIV

 

O dilema da camisinha

 

O aumento de casos entre mulheres vai muito além da idéia de liberdade sexual ou da promiscuidade, que também são motivos de contaminação. Pelo contrário. Muitas delas – não importa a idade ou o estado civil – ainda se prendem ao medo de pedir ao parceiro que coloque a camisinha na hora da relação. Segundo a ginecologista, obstetra e sexóloga Mariana Maldonado, a mulher tem maior vulnerabilidade biológica à contaminação. "A vagina é uma importante porta de entrada para o vírus, principalmente se a mulher apresenta alguma infecção, sexualmente transmissível ou não", explica.

 

Estudos do Ministério da Saúde apontam que a difícil negociação quanto ao uso do preservativo é um dos principais motivos pelos quais as mulheres vêm sendo infectadas. Mulheres casadas, então, sofrem ainda mais com esse problema, pois têm medo que os maridos interpretem o pedido como um sinal de desconfiança. Porém, se esquecem que podem ser contaminadas por eles mesmos. O condicionamento social, que "determina" que as mulheres casadas confiem cegamente na fidelidade de seus maridos, leva muitas delas a descobrirem – muitas vezes tardiamente – que são portadoras da doença. O pior é que, em muitos casos, os homens sabem que são portadores do vírus e escondem de suas parceiras ou esposas. "Isso sem falar nas questões culturais em uma sociedade machista, em que muitos homens pensam que são donos de suas mulheres e podem fazer o que bem entenderem dentro e fora de casa. Isso resulta, muitas vezes, em práticas de violência, inclusive sexual, que pode levar à contaminação", assinala Mariana Maldonado.

 

Deu positivo. E agora?

 

A descoberta da doença é um choque para qualquer pessoa. Mas, segundo a coordenadora do Grupo de Apoio às Mulheres com HIV, do Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro, Valéria de Paula, ele é mais intenso nas mulheres. "Quando se descobrem portadoras do HIV, muitas acreditam que não poderão mais se relacionar afetivamente com outro parceiro. Pensam, também, na família e no trabalho. A perspectiva de vida acaba, levando a uma morte social e à exclusão", relata. Carmen Lent, do Banco de Horas, diz que a reação à notícia varia de acordo com uma série de fatores. "Depende das condições psicológicas, classe econômica, educação, nível de informação, idade, estado civil e contextos familiar e social da mulher que recebe a notícia".

 

A reação da família, dos amigos e do parceiro também assusta. Valéria de Paula salienta que a discriminação sobre as mulheres soropositivas é mais dura porque elas são culturalmente preparadas para cuidar da família. Com isso, ao revelar serem portadoras do vírus, sofrem um julgamento moral. "Um fato interessante é que as casadas, mesmo com a descoberta do HIV, muitas vezes são pressionadas pela família a cuidar do parceiro até a morte", comenta. Mas isso não significa que o caminho das portadoras do HIV seja feito somente de discriminação. "A maioria recebe o apoio das pessoas que ama", diz Valéria.

 

Quem tem filhos, é claro, sofre bastante ao pensar no futuro deles. Em sua experiência na coordenação do Grupo de Apoio às Mulheres, Valéria notou que mães portadoras do vírus HIV se preocupam, antes de tudo, com a saúde dos herdeiros – sejam eles soropositivos ou não. Depois, pensam na criação, na alimentação, no sustento e nos medicamentos.

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