Carta para uma jovem mãe

Por Débora Mendes Publicado em: 05 de julho de 2016 às 13:00.

Tags: carta, para, jovem,

Texto da colunista Débora Mendes

Se há um clichê que é a verdade em poesia é que nossos primos são nossos primeiros amigos, disso eu sei porque nós duas somos essa verdade em poesia. Nós duas que crescemos juntas, entre brigas e risadas na casa da vó. Eu sempre me impondo por achar que podia mais que você pelos dois meses em que sou mais velha, enquanto sua voz alta percorria pela casa por longos minutos sem cansar. A nossa infância foi assim, com muita gritaria entre caixas de bis, uma confusão em que nem mesmo a gente entendia como as coisas ficavam bem. Mas, infelizmente, a gente precisou crescer e nossos encontros passaram a demorar mais a acontecerem, apesar de que durante eles poucas coisas mudaram. Você continuava a falar alto, continuava com seu desespero, continuava a ser aquela criança que chorava junto comigo nas nossas noites de pijamas. E no passar do tempo eu voei para longe, fui para um lugar onde eu achei que iria aprender a usar as palavras e fazer delas o meu caminho. Só que nesse momento eu não sei quais palavras usar minha prima! Você, que com todas as suas ansiedades e desajeito, foi atrás do seu sonho e com seus 21 um anos percebeu como a vida é traiçoeira. Você conquistou seu papel de mãe de família, descobriu o que é o amor incondicional e após rápidos meses  tem que entender a perda, não há palavra que dê alento para sua alma. Tenho muito orgulho de ter feito parte desse seu sonhos mesmo de longe, lembro do orgulho em que senti quando te fotografava com seu barrigão de grávida e percebia o tanto que havia mudado desde que começou a carregar uma vida, orgulho de ver que você tinha se tornado uma mulher e seria uma excelente mãe, como foi durante a breve vida da sua filha. Era lindo ver você, que sempre foi a escandalosa da família, pedir silêncio porque sua pequena havia adormecido. Nesse momento,  a fé e os abraços ficam responsáveis por te ajudar a suportar toda a saudade e a dor que você carrega. E nenhuma palavra será capaz de te consolar, mas mesmo assim te escrevo essa carta, para que não se esqueça do tanto que você é capaz, para que você não esqueça que você é uma mãe exemplar! Você sempre será a mãe da Bia e eu sempre serei sua prima que vai te dar puxões de orelhas, apesar da minha vontade, nesse momento, ser apenas poder te abraçar forte, sendo, por breves minutos, seu aconchego e suas forças.

 

Eu te amo!

Fique com Deus, minha prima!

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