Mais mulheres são assassinadas no Brasil do que na Síria

Por Nathalia Ruiz Publicado em: 12 de novembro de 2015 às 13:00.

Tags: mais, mulheres, assassinadas, brasil, siria,

O Mapa da Violência 2015 – Homicídio de Mulheres no Brasil foi divulgado essa semana e mostra dados impressionantes

Não, você não leu errado: o Brasil mata (muito) mais mulheres do que a Síria, país que enfrenta há quase cinco anos uma guerra civil. Enquanto ocupamos o quinto lugar no ranking nada orgulhoso dos países com maior número de homicídios de mulheres (4,8 mortes por 100.000 pessoas do sexo feminino), a nação do Oriente Médio está na 64ª posição (0,4 mortas por 100.000). Na nossa frente, estão apenas Rússia, Guatemala, Colômbia e El Salvador.

 

Em números totais, foram 4.762 mortes só em 2013 (último ano do estudo), o que representa nada menos do que uma média de 13 mulheres assassinadas por dia! Infelizmente o relatório retrata uma realidade que não é nova: “Precisamos reconhecer que, de maneira geral, o Brasil tem taxas de homicídio muito elevadas. No entanto, o que Mapa da Violência deste ano traz para refletirmos é que essas mulheres perdem a vida por causas muito diferentes das masculinas: elas morrem mais em decorrência de violências ligadas ao âmbito doméstico, íntimo e afetivo" garante a antropóloga Beatriz Accioly,  pesquisadora da USP no Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença. A especialista, que aborda a questão de gênero, destaca casos de homens que sentiram ciúme, vingança ou não aceitaram o fim de um relacionamento, como a tragédia envolvendo a dançarina Ana Carolina Vieira, morta pelo ex-namorado, em 4 de novembro.

 

Não à toa, o relatório mostrou que 50,3% das mortes violentas de mulheres são cometidas por familiares — a maioria (33,2%) por parceiros ou ex-parceiros.

 

Esses dados — assustadores — não deixam dúvida de que, mais do que nunca, precisamos, sim, de leis como a do feminicídio  e de campanhas que desnaturalizem valores que culpabilizam  a mulher morta ou estuprada: “Cada vez que criticamos as escolhas sexuais ou amorosas de uma mulher e justificamos a violência que ela sofre com frases como ‘Nínguém mandou trair o cara’ ou ‘Ela deveria ter se dado ao respeito’, estamos contribuindo para a justificação desses homicídios.  E isso é perigosíssimo”, afirma Beatriz. Cosmopolitan levanta a bandeira de que a mulher não deve nada — os direitos já são nossos, por Constituição, enquanto cidadãs brasileiras — e convida você a deixar de lado essas falas e lutar com a gente contra esses números. Vamos juntas?

 

Fonte: MdeMulher

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