Mulheres da história de Divinópolis

Por _BemFeminina Publicado em: 08 de outubro de 2013 às 09:03. Atualizado em: 08 de outubro de 2013 às 09:48.

Conheça duas importantes parteiras que deram a vida a muitos divinopolitanos

Uma cidade é formada por diversos tipos de pessoas: crianças, adultos e idosos, homens e mulheres. Muitos fazem história e a história deve ser contada, repetida, passada de geração a geração para que não caia no esquecimento, pois este talvez seja o pior dos destinos: o esquecimento.

Começamos aqui uma missão: a de resgatar e contar a história de parte dessas pessoas, especificamente das mulheres, como o gênero da revista sugere.

 

 

Nada melhor que iniciar falando de duas mulheres responsáveis pelo nascimento de milhares de divinopolitanos, famosas pela função que adotaram, a de parteiras. São elas: Dona Angelina e Chiquita Parteira.

 

 

D. Angelina nasceu na Itália, em Toscana, no dia 11 de setembro de 1878. Casou-se com Luciano Fabrini, conhecido pelo apelido de Querubino, ainda na Itália.

Em 1916 se instalara em Divinópolis com seu marido e seus seis filhos.  Seu marido foi o responsável pela plantação dos eucaliptos nas ruas do bairro Esplanada.

 

 

Pessoas ilustres da vida de Divinópolis vieram ao mundo pelas mãos hábeis de Dona Angelina.  Ela foi a parteira mais famosa da região nas décadas de mil novecentos e vinte, e trinta. Era de ver, no seu porte altivo, estrutura baixa, cabelos grisalhos, com a brancura trazida da península itálica, a percorrer, em passos apressados, as ruas de nossa cidade para atender a mais uma gestante que estava prestes a dar a luz. E lá ia Dona Angelina, sempre com as joias de que tanto gostava, grossos colares, brincos e aneis de ouro, muito bem arrumada, com a indispensável valise, onde levava os instrumentos necessários à  nobre função.

 

 

Além de parteira, Dona Angelina nutria uma paixão por futebol. Seu clube de coração era o Ferroviário Atlético Clube e com sua inseparável sombrinha defendia a honra de seu clube quando algum torcedor de outro time o menosprezava.

Mulher dedicada e parteira por vocação, sempre anotava seus partos em um caderninho e quando o parto era complicado contava com a ajuda do famoso médico da época Dr. Zózimo.

Dona Angelina morreu no dia 30 de julho de 1944 aos 66 anos de idade.

 

 

Francisca Moreira da Silva - a Chiquita Parteira, nasceu em Divinópolis, no dia 11 de junho de 1905. Em 1928, com seus 23 anos e com uma filha de 9 meses, voltou para a casa da mãe logo após a morte de seu marido, que havia lhe pedido que o fizesse, em um dos seus últimos momentos  ao seu lado. Estudou obstetrícia e chegou a trabalhar na Santa Casa de Belo Horizonte por um tempo, mas foi em Divinópolis que sua vida de parteira fez história: Mais de 15 mil divinopolitanos vieram ao mundo por suas mãos. Sempre alegre pronta a atender uma gestante independente de sua classe social, vibrava com cada criança que vinha ao mundo e se abalava profundamente quando o sucesso do parto não acontecia.  Costumava preparar a gestante para um possível parto de mais de uma criança, pois, na época o pré-natal não era comum e as gestantes chegavam ao fim da gravidez quase que sem acompanhamento algum. E em um desses casos no bairro do Córrego do Barro (hoje Afonso Pena) a gestante esperando um filho se assustara com o nascimento de trigêmeos, e Chiquita Parteira com todo seu jeito lhe mostrara o quão deveria se sentir abençoada.

 

 

Poucas coisas a tiravam do sério. Uma dessas coisas era quando uma mocinha lhe procurava a fim de interromper uma gestação indesejada, em alguns casos até lhe ofereciam uma generosa quantia em dinheiro, Chiquita não se deixava influenciar pela proposta, se ofendia e ainda dava um sermão, advertindo a moça.

 

 

Chiquita Parteira morreu no dia 23 de julho de 1981.

 

 

 

Fontes de pesquisa:

Arquivo Público Municipal

Museu Histórico de Divinópolis

LARA, José Dias. Divinópolis Com Amor e Humor. 2ª.ed. Divinópolis, MG, 1994. Editora Gráfica Sidil

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