Papinho de água doce

Por _BemFeminina Publicado em: 16 de outubro de 2013 às 13:48.

Dona Arminda e sua marca na cidade

Não é difícil andar pelas ruas de qualquer cidade grande e encontrar andarilhos e pedintes que, vivem nas ruas a margem da sociedade. Muitos desses são consumidores de drogas como álcool, crack e inaladoras. Porém, houve alguns moradores de rua que eram diferenciados, moravam nas ruas simplesmente por não ter onde morar, e fizeram parte do folclore das ruas, Divinópolis também tem em sua história alguns desses personagens.

 

Uma delas é a Dona Arminda, popularmente conhecida como Papinho D´Água Doce, seu apelido, vindo de uma leve saliência no pescoço não a incomodava, mas, tinha a preferencia de ser chamada pelo nome. Um olhar doce, a boca sem dentes sempre mordendo o polegar, essa era uma de suas características marcantes. As ruas e avenidas de Divinópolis eram sua casa, seu quarto onde descansava eram os bancos de praça, sua sala eram as praças e soleiras das portas, onde vez por outra batia um papo com os cidadãos mais privilegiados que dispunham de algum tempo para dedicar a Papinho D´Água Doce, sua cozinha era ali mesmo, ali, em qualquer lugar que pudesse sentar e se alimentar com o que ganhava de caridade. Quem conheceu Papinho D´Água Doce, lembra muito bem de aquele olhar doce e distante, que apreciava as pessoas passarem, as crianças saindo da escola e os carros indo e vindo, era possivelmente sua diversão. Mulher de uma humildade do tamanho de sua simplicidade, seus sonhos e desejos não iam além de conseguir roupas e comida, e, saia de casa em casa pedindo, sendo atendida na maioria das vezes, pois, andava sempre sorridente e agradecia mesmo que não lhe dessem nada.

 

Na cidade da moda Papinho D´Água Doce, fazia sua parte, afinal era mulher, e já possuía em seu DNA um “quê” de vaidade, seu estilo extravagante de vestir chamava a atenção de todos, usava diversas camadas de roupas, vestidos calças, blusas, tudo de uma só vez, e em um saco levado as costas carregava todos os seus pertences para onde quer que ela fosse, o argumento para tal comportamento era direto, “é pra eles não roubar”! Seu rosto com rugas que lhe entregava o tempo passado em sua vida, não lhe permitia perder o ar de simpatia, só se irritava quando as crianças cantavam: “Papinho D´Água Doce não vai pro céu”, afinal, era sua maior esperança, ir para o céu, um lugar onde teria uma vida melhor do que a que lhe foi permitida aqui nessa terra.

 

Welber Skaull é historiador e escreve todas as quartas-feiras, na Bem Feminina.

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