Uma pessoa chamada Rádio

Por _BemFeminina Publicado em: 06 de agosto de 2013 às 20:42. Atualizado em: 06 de agosto de 2013 às 00:00.

25 de Setembro – Dia do Rádio

Dentre tantos veículos midiáticos, eis o primeiro meio de comunicação em massa eletrônico: o rádio. Ele surgiu contextualizado em um importante período. Talvez como conseqüência de tal, talvez como impulsionador, talvez como estratégia, talvez como fuga, talvez como busca e quem sabe até como contador de história, ou diríamos, protagonista dela. Período de novidades, revoluções, contestações, mudanças no cenário econômico e principalmente na cabeça do brasileiro.

Em meio ao centenário da independência do país, o envolvimento da burguesia na política, a arte como forma de protesto político, social e de crítica: a Semana de Arte Moderna. Quem sabe o rádio não seja uma arte, de um lado ou de outro, ele teve objetivo político, social, ideológico. Ele também provocou, encantou, se popularizou. Foi servo do governo, foi estratégia, foi meio. Ganhou força. Tomou lugar o de rei, ganhou servos, publicitários, amantes, apaixonados.

Por fim, ganhou também sua independência, mudou de lado. Ou não. Talvez apenas abriu espaço. Deixou de ser apenas meio, passou a ser finalidade, sonho de artistas musicais. Palco de arte. Voz de ideologias, tempo dos brasileiros, olhar do mundo. Virou campo de futebol. Passou a informar, contar histórias. Deixou de ser um espaço a ser ocupado por vozes e passou a ocupar espaço na vida do brasileiro.

Na década de 40, mesmo tendo dono e caminho preestabelecido, ele não impediu que seu dono entrasse em declínio e ele se mantivesse de pé. Não que seja traidor de Getúlio. Mas sim que tenha mostrado seu verdadeiro papel: dar direito de escolha às pessoas. Ele transformou papel em voz. Viva. Virou companhia. Transformou fotografia em imaginação. Respeitou os limites dos nossos sentidos. Despertando-os, nos fazendo conhecê-los. Não os impondo.

Ele viu a TV tomar espaço. E não teve a pretensão de invadi-la. Nem mesmo se considerou pequeno. Ele entendeu a diferença entre espaço e lugar. Afinal, perdeu espaço, mas não perdeu lugar.  Ele não exige atenção exclusiva. Não é egoísta. Encontra lugar na atenção do povo em tempo de trabalho e de descanso. Tem lugar. Temperando almoços ou heroicamente tornando o trânsito mais suportável. Ele é vivo, interativo, compreensivo. É sutil e inteligente. Entra sem ser percebido e cumpre uma missão. Informa. Não impõe cenários, sabores, sentidos. Instiga-os. Ele tem um lugar que só perderá o dia que encontrar outro tão capaz de provocar tantos sentidos com apenas um: Ouvir. 

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